ESTUDOS SOBRE INTERAÇÃO SOCIAL, ESCOLAR E FAMILIAR: CONTEXTOS E ESPAÇOS DE INCLUSÃO

  • Júlia Sursis Nobre Ferro Bucher-Maluschke
  • Jonas Carvalho e Silva

Resumo

Caras leitoras e caros leitores,

A Apae Brasil é uma das mais importantes instituições para a inclusão de pessoas com deficiência no Brasil. Como uma associação de apoio aos pais e amigos, a APAE colabora também com o desenvolvimento de pesquisas, visando a produção e divulgação de conhecimentos. O movimento apaeano, iniciado em 1954, demonstra o pioneirismo das relações com diversos segmentos da sociedade civil, contribuindo com o avanço das políticas públicas. Neste sentido, apresentamos um número especial com pesquisas realizadas por acadêmicas e acadêmicos no campo do desenvolvimento humano, as quais, com o apoio da revista, se tornaram acessíveis à população.

Um aspecto a ser considerado, na perspectiva de uma ação pedagógica, é a práxis interdisciplinar presente, tanto na ação pedagógica, quanto na proposta educacional, que se pretende ser inclusiva. Os estudos relativos ao contexto familiar demonstram a necessidade também de um conhecimento, que relacione a vivência da deficiência no convívio social e familiar, para além da escola. Desta forma, as práticas interdisciplinares são necessárias para que a inclusão no trabalho, na escola e na família se torne fundamental.

A deficiência tem sido discutida e legislada em vários países, indicando a internacionalização dos direitos fundamentais. Conforme Carlos Roberto Cury (2005, p.36) “O processo de internacionalização de direitos tem como afirmação positiva do direito à diferença, sob a égide de uma generalização em Lei”. Nesse sentido, destacamos as diversas convenções das quais o Brasil é signatário, tais como, a Declaração de Salamanca (1994) sobre os princípios, políticas e práticas na área das necessidades educativas especiais, e a Convenção de Guatemala (2006), sobre os direitos das pessoas com deficiência. Caminhando no mesmo sentido da internacionalização, o Brasil criou a Lei n. 13.146/2015 denominada Estatuto da Pessoa com Deficiência. No que concerne às pesquisas aqui apresentadas, destacamos a colaboração de pesquisadores da Alemanha e de Moçambique.

Os estudos apresentados são produtos de uma investigação qualitativa, que se caracterizam por estudos de caso. Para Atkinson (1998, p. 3), o estudo de caso é “uma forma narrativa, que se transforma em um método da pesquisa qualitativa, quando visa a captar, obter informações da essência subjetiva de uma vida inteira da pessoa”. Inúmeros foram os estudos que abordaram a história de vida ou história oral realizada por meio de narrativa dos indivíduos, que propiciam o desenvolvimento de conceitos importantes, para a realização de outras pesquisas, tais como o conceito de ciclo vital, genograma familiar, ecomapa e análise fílmica. Os contextos abordados nos estudos de caso, que compõem o corrente número, dizem respeito a questões relacionadas à inclusão escolar e a família.

Esta edição especial da revista APAE CIÊNCIA só foi possível graças ao apoio obtido no processo 311386/2018-0 da chamada CNPq n. 09/2018. Nossos agradecimentos também à APAE do Distrito Federal, que facilitou a coleta dos dados. Convêm destacar a contribuição da professora Simone Roballo, coordenadora egressa do Uniceub, na organização da disciplina de produção de artigo e no incentivo aos alunos para trabalharem no referido projeto sobre pessoas com deficiência e suas famílias.

Aos colegas integrantes dos artigos, constituindo uma rede de colaboradores, esperamos a continuidade de novas contribuições na área da deficiência, o que trará conhecimentos fomentadores das políticas públicas. Vale ressaltar a colaboração dos integrantes do comitê científico, que aceitaram a tarefa de avaliar os artigos a eles submetidos, a partir da ampla experiência em pesquisa. Agradecemos também à Federação Nacional das Apaes – FENAPAES e aos editores da revista APAE CIÊNCIA pela oportunidade da divulgação dos resultados oriundos da ampla pesquisa realizada.

 

Boa leitura!

Publicado
2021-08-05