CRÍTICA À BRANQUITUDE TÁCITA NOS ESTUDOS DA DEFICIÊNCIA

UMA PERSPECTIVA ANTROPOLÓGICA ANTICOLONIAL

Autores

  • Guilherme da Rocha Campos

Palavras-chave:

Negritude, Branquitude, Deficiência, Interseccionalidade, Anticolonial

Resumo

Este artigo, motivado pela experiência de uma pesquisa do Instituto de Ensino e Pesquisa Darci Barbosa - IEP-MG, com famílias de pessoas com deficiência múltipla, critica a ausência da raça como categoria de análise nos estudos da deficiência no Brasil, incluindo a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) e a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CIDPcD). Tal omissão alinha tais estudos a uma branquitude tácita, uma identidade racial branca hegemônica, que mascara privilégios de pessoas brancas e desconsidera ou deturpa a realidade de pessoas não brancas com deficiência. São adotadas perspectivas da produção intelectual negra brasileira, como os conceitos de negritude e branquitude, para desvelar a ideologia do branqueamento e o mito da democracia racial. Esses elementos históricos no pensamento social brasileiro mascaram o racismo, assimilam culturas não brancas e perpetuam privilégios. Além disso, questiona-se o princípio de igualdade pela independência e a corponormatividade presentes nas legislações sobre deficiência, defendendo a interdependência humana e a centralidade do cuidado, a partir de estudos críticos da deficiência. Por fim, propõe-se a interseccionalidade como ferramenta crucial para analisar a articulação de múltiplas formas de opressão (racismo, capacitismo, sexismo) e combater a hegemonia de grupos privilegiados. O artigo conclui que a falta de consideração racial perpetua o racismo por omissão, reforçando a necessidade de uma análise antropológica anticolonial para garantir justiça social às pessoas com deficiência no Brasil, principalmente às não brancas.

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Publicado

2025-11-25

Como Citar

da Rocha Campos, G. (2025). CRÍTICA À BRANQUITUDE TÁCITA NOS ESTUDOS DA DEFICIÊNCIA: UMA PERSPECTIVA ANTROPOLÓGICA ANTICOLONIAL. Apae Ciência, 23(1), 25–45. Recuperado de https://apaeciencia.org.br/index.php/revista/article/view/483

Edição

Seção

Artigos